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Abuso De Drogas No Idoso Imprimir E-mail
Autoria de Dr. Luiz Gonçalves Pinto   
05 de outubro de 2005
    umento da longevidade, aumento da ocorrência de distúrbios (incluindo o abuso de álcool e drogas).
    Estudaremos os benzodiazepínicos (BDP) e o tabagismo devido ao impacto dessas substâncias nos idosos.

    FATORES DE RISCO PARA O ABUSO DE DROGAS NOS IDOSOS

    1. Transtornos ansiosos e depressivos
        - Transtorno de pânico
        - Transtorno por estresse pós-traumático

    2. Estressores psicossociais

    3. Condições médicas

    Em idosos institucionalizados ou residentes em clínicas de repouso é elevada a prevalência de transtornos depressivos, ansiosos e cognitivos, sendo freqüente a prescrição desnecessária de sedativos, hipnóticos e ansiolíticos, ocasionando maior prejuízo das AVDs e atividades instrumentais.

    No envelhecimento há diminuição do número e da sensibilidade dos receptores Gaba-A e aumento da sensibilidade neuronal, resultando em alterações da farmacodinâmica dos BDZ, refletindo-se no aumento da sensibilidade aos seus efeitos sedativos e ansiolíticos.

    Também o aumento da permeabilidade da barreira hemato-cerebral aliada a modificações da farmacocinética dos BDZ afetam a sua biodisponibilidade.

    ALTERAÇÕES FARMACOCINÉTICAS NO ENVELHECIMENTO

    Absorção:

    - Aumento do PH gástrico
    - Diminuição da velocidade de esvaziamento gástrico
    - Diminuição do fluxo sangüíneo visceral
    - Diminuição da superfície de absorção
    - Diminuição da motilidade intestinal

    Biotransformação:

    - Diminuição do volume de tecido metabolicamente ativo
    - Diminuição da albumina plasmática

    Distribuição:

    - Diminuição do volume de água corpórea
    - Diminuição da massa muscular
    - Diminuição do peso corporal
    - Aumento do tecido adiposo

    Eliminação:

    - Diminuição da massa hepática
    - Diminuição da atividade de enzimas microssomais hepáticas
    - Diminuição do fluxo sangüíneo hepático
    - Diminuição da taxa de filtração glomerular
    - Diminuição da secreção tubular
    - Diminuição do fluxo sangüíneo renal

    São mais graves essa alterações nos alcoolistas, pois a indução de enzimas do citocromo PH50 pelo álcool ou a redução do metabolismo hepático nos etilistas com hepatopatia podem ocasionar diminuição ou aumento da meia-vida plasmática dos BDZs e outros psicotrópicos, afetando sua biodisponibilidade mesmo em doses terapêuticas.

    Os principais efeitos adversos dos BDZ são dose-dependentes e relacionam-se com suas ações depressoras do SNC.

    PRINCIPAIS EFEITOS ADVERSOS DOS BENZODIAZEPÍNICOS EM IDOSOS

    - Sedação
    - Ataxia
    - Visão borrada
    - Quedas (fratura de fêmur)
    - Desinibição e piora do comportamento agressivo
    - Pseudodemência
    - Prejuízo da memória

    INDICAÇÕES DE USO EM IDOSOS
    INSÔNIA

    Na escolha do BDZ procura-se conciliar o tipo de insônia à sua meia-vida.
    Ex.:
     - agentes de meia-vida curta (midazolan, triazolan) são usados nas insônias iniciais.
     - agentes de ação intermediária (diazepam, bromazepam, temazepam) são usados nas insônias intermediárias e terminais.

    Também pode-se usar os anti-histamínicos (difenidramina, hidralizina) mas por curto prazo, devido a tolerância aos efeitos hipnóticos e risco para delirium anticolinérgico.

    INDICAÇÕES DE USO EM IDOSOS
    ANSIEDADE

    Lorazepam:
     - Não usar em DPOC por sua ação depressora da função respiratória (usar buspirona e anti-histamínico).

    Betabloqueadores:
     - Usa-se quando há proeminente manifestação somática de ansiedade (taquicardia, palpitações, taquipnéia, diaforese e tremores).
     - Usa-se em doses baixas e fracionadas (5 a 10mg, 1 a 4 vezes ao dia). Tem contra-indicação na DPOC e na ICC.
     - Tem efeitos adversos potenciais em idosos como hipotensão postural e bloqueio cardíaco.

    INDICAÇÕES DE USO EM IDOSOS
    DEMÊNCIA

    Os BDZs (como o alprazolam) podem ser empregados no controle da agitação psicomotora com outras alterações comportamentais em pacientes demenciados.

    ABUSO, DEPÊNDENCIA E ABSTINÊNCIA

     - O abuso está ligado a auto-medicação.
     - A dependência pode desenvolver-se num período de 4 semanas de uso contínuo.
     - A tolerância ocorre somente aos efeitos hipnóticos.
     - A síndrome de abstinência é comumente confundida com a persistência ou recorrência dos estados ansiosos que justificaram a sua prescrição.
     - As manifestações clínicas da abstinência de BDZ podem ocorrer ao longo de dias ou semanas após a sua descontinuação (ou redução).
     - A duração do tratamento, a meia-vida do BDZ, a sua dose e a velocidade de descontinuação devem ser sempre avaliadas.

    SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA A BENZODIAZEPÍNICOS (DSM-IV, 1995)

    1. Interrupção ou redução do uso pesado e prolongado.

    2. Dois ou mais dos seguintes sintomas:
     - hiperatividade autonômica
     - sudorese, taquicardia, diaforese
     - tremor de extremidades
     - ansiedade
     - alucinações ou ilusões visuais, tácteis e auditivas transitórias
     - agitação psicomotora
     - náusea ou vômitos
     - insônia
     - convulsões tônico-clônico generalizadas

    3. Sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional.

    4. Excluir condições médicas gerais e outros transtornos mentais.
     - O delirium induzido pela síndrome de abstinência a BDZ é comum em pacientes hospitalizados.

    DELIRIUM INDUZIDO POR ABSTINÊNCIA A BENZODIAZEPÍNICOS (DSM-IV, 1995)

    1. Perturbações da consciência:
     - diminuição da clareza da consciência em relação ao ambiente ("turvação da consciência")
     - diminuição da capacidade de focalizar, manter ou deslocar a atenção

    2. Alterações cognitivas:
     - déficit de memória
     - alterações da linguagem
     - desorientação
     - distorções perceptuais

    3. Flutuações das perturbações no decorrer do dia ("flutuações do nível de consciência" ou "síndrome crepuscular")

    4. Evidências a partir da história clínica, exame físico e achados laboratoriais de que as perturbações da consciência e cognitivas iniciaram-se durante ou logo após uma síndrome de abstinência

    MEDIDAS PREVENTIVAS

    Na decisão de prescrever um BDZ considerar
    RISCOS x BENEFÍCIOS

    Na escolha do BDZ considerar:
     - identificação dos sintomas-alvo, pois alguns BDZ são mais ansiolíticos e outros tem maior ação hipnótica
     - duração prevista do tratamento
     - alterações fisiológicas próprias do envelhecimento e as condições clínicas e físicas do paciente
     - esquema posológico (as doses iniciais devem ser ajustadas lentamente no pacientes geriátricos)
     - perfil farmacocinético do BDZ
     - interações medicamentosas

    Na retirada de um BDZ, reduzir gradualmente a dosagem (25% da dose a cada semana) visando prevenir sintomas-rebote, a recorrência dos sintomas ansiosos e a síndrome de abstinência.

    Nos casos de uso crônico e dependência, o BDZ em uso deve ser substituído por outros de ação mais prolongada (diazepam, clonazepam).
    A dose inicial deve corresponder a 50-75% da posologia anterior, sendo gradativamente reduzida na proporção de 10-20% por dia até a suspensão completa.

    TABAGISMO

     - 15% dos idosos são tabagistas.
     - A interrupção do consumo de nicotina reduz a mortalidade e a morbidade das doenças ligadas ao tabagismo (cardiopatias isquêmicas, DPOC e neoplasias).

    SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA POR NICOTINA (DSM-IV, 1995)

    1. Uso diário de nicotina por pelo menos duas semanas

    2. Quatro ou mais dos seguintes sintomas. dentro de 24 horas após a interrupção ou redução abrupta na quantidade de nicotina usada:
     - humor disfórico ou deprimido
     - excitação psicomotora
     - dificuldade de concentração
     - aumento do apetite ou ganho ponderal
     - insônia, irritabilidade, frustração ou raiva
     - ansiedade
     - redução da freqüência cardíaca

    3. Sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional

    4. Excluir condições médicas gerais e outros transtornos mentais

    MEDICAMENTOS ADQUIRIDOS SEM PRESCRIÇÃO
    (Over-the-counter)

    40% dos idosos usam medicação que não necessitam de prescrição médica para sua aquisição.

    COMPLICAÇÕES CLÍNICAS DO ABUSO DE MEDICAMENTOS OVER-THE-COUNTER

    Analgésicos
     - gastrite
     - hemorragia intestinal
     - nefropatia

    Laxativos
     - diarréia crônica
     - hipocalemia
     - hipocalcemia

    Anti-histamínicos e anticolinérgicos
     - delirium

    Simpatomiméticos
     - arritmias cardíacas
     - hipertensão arterial

    CONCLUSÕES

    - Identificação dos abusadores;
    - Desintoxicação e reabilitação física e psicossocial;
    - Evitar (substituir) ou controlar a prescrição de drogas de potencial de abuso;
    - Identificar as causas não só médica, mas financeiras e sociais;
    - Internação;
    - A todos os usuários geriátricos de medicamentos com potencial de abuso devem ser informados dos riscos de dependência e seus efeitos adversos.

Última Atualização ( 30 de abril de 2008 )
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